Globularia alypum
© André Carapeto  
Globularia alypum
© André Carapeto  
Globularia alypum
© André Carapeto  

 

Globularia alypum L.

Globulariaceae

André Carapeto

Uma desconhecida da flora nacional

Globularia alypum é um pequeno arbusto perene, muito ramificado e que pouco ultrapassa os 60cm de altura. Os ramos erectos apresentam com pequenas folhas verde-azuladas, algo rígidas e lanceoladas; as flores de pequena dimensão são azuis e encontram-se agrupadas em capítulos localizados no topo dos ramos. Ao olho incauto, passa facilmente despercebida como uma jovem Osyris lanceolata, até porque a sua característica mais distintiva, os capítulos azulados situados no topo de ramos erectos, só é visível no final de Outono e início de Inverno (Dezembro-Janeiro).

Talvez a floração invernal seja um dos motivos que tenha contribuído para que a espécie passasse despercebida durante tanto tempo. Apesar da Flora Ibérica a assinalar para uma vasta região, desde a costa do Mediterrâneo e Baleares até à ilha da Madeira, em Portugal Continental permaneceu como uma plantas mais desconhecidas da flora nacional. Já em 1913 Xavier Pereira Coutinho a refere na sua "Flora de Portugal", apesar de afirmar o seu desconhecimento quanto a possíveis locais de ocorrência. Esta suspeita só seria confirmada em 1995, quando Carlos Pinto Gomes a assinala para o Barrocal Algarvio. Este autor considera tratar-se de uma espécie extremamente rara em Portugal, com um único local de ocorrência conhecido em território continental.

Em Portugal Continental Globularia alypum pode-se encontrar em outeiros secos e pedregosos, expostos a Sul e Sudoeste, colonizando solos básicos de origem calcário-margosa, revestidos por tomilhais e pomares de sequeiro abandonados. Noutros países ocorre em arribas litorais, em matos esclerófitos e em pinhais, em solos de diferentes origens, mas sempre básicos.

Globularia alypum é uma de várias plantas cujos esforços de conservação são prejudicados por não existir uma lista nacional de flora em perigo com estatuto de protecção. De facto, a legislação portuguesa de protecção às espécies vegetais resulta na sua maioria da adopção da legislação comunitária, nomeadamente a resultante da Directiva 92/43/CEE, que nem sempre reflecte a realidade regional de cada país. Desta diferença de escala resultam situações como a da Globularia alypum, espécie raríssima em Portugal, mas comum na vizinha Espanha, pelo que a nível europeu não requer qualquer estatuto de protecção. Este facto torna a sua relevância para a biodiversidade nacional praticamente "despercebida" aos olhos dos responsáveis pela tomada de decisões que afectem a conservação e o ordenamento do território.

O reduzido número de indivíduos que constitui a única população actualmente conhecida, não permite encarar a continuidade desta espécie em território continental como assegurada. Apenas podemos esperar que a sua ocorrência em área protegida pela Rede Natura 2000, permita a conservação dos locais onde subsiste. Todavia, há que continuar a prospecção de novos núcleos populacionais deste arbusto de botões azuis, pois face ao seu aspecto discreto durante a maior parte do ano, é bem possível que ainda esteja por descobrir noutras encostas soalheiras do Barrocal algarvio.


14 de Novembro de 2009


sinopse técnica

Ecologia

Em tomilhais sobre solos básicos de origem calcário-margosa, em encostas com elevada exposição solar.

Distribuição

Região mediterrânica, Madeira, Baleares.

Época de floração

Dezembro a Janeiro

Estatuto de protecção

Nenhum.

Alguns locais de observação

- Apenas assinalada para o Barrocal algarvio (arredores de Paderne).


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