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© Ana Júlia Pereira  

 

Centaurium erythraea Rafn

Gentianaceae | fel-da-terra

Joana Camejo Rodrigues

O fel-da-terra ou fel-do-mato!

O nome diz tudo!

De aspecto elegante, sorridente e atraente, esta pequena herbácea tem um sabor de tal forma amargo que a cultura popular assim a nomeou há tempos idos que já ninguém sabe datar. Uma simples pétala na ponta da língua em segundos faz transparecer uma feia careta no rosto do incauto ou aventureiro. E pior - esse amargo demora tempo a passar e não sai com água!

Planta usada medicinalmente na medicina popular portuguesa, em chá, muito referida como benéfica para a diabetes, fígado e vesícula, azia, falta de apetite, febre. O chá, dizem, por mais açúcar ou mel que se ponha, nunca deixa de ser amargo, pelo que não vale a pena esse acrescento (não devendo mesmo usar-se açúcar no caso de uso para a diabetes).

Crescendo em terrenos secos, começa por criar uma pequena roseta de folhas agarradas ao solo, do centro da qual, quando a sua natureza manda, se desenvolve um raminho aéreo erecto em direcção ao céu. Chega a atingir meio metro e ao longo do seu caule apresenta ramificações opostas de ramos laterais pouco densos, os quais se sub-dividem novamente umas poucas vezes, assim sucessivamente sempre ocorrendo um raminho central e dois laterais opostos em cada ramificação. O arranjo das flores com aspecto de uma umbela (como as varetas de um guarda chuva virado ao contrário) engana o observador apressado, não se tratando na verdade de uma umbela mas assim parecendo por os raminhos acabarem por desenvolver botões florais à mesma altura do chão (ou bastante aproximado), pelo menos nos raminhos mais centrais da planta. As folhas delicadas apresentam três nervuras saindo da sua base, sendo a central mais pronunciada fazendo lembrar o tridente de Neptuno. Outra particularidade facilmente identificável é a disposição das folhas - sempre em pares frente a frente (ou seja opostas no caule), como companheiras a darem as mãos.

Quando o sol nasce, o fel-da-terra abre as suas lindas pétalas rosadas (que se tornam esbranquiçadas à medida que a Verão e o calor avançam), fechando-as ao cair da noite como quem deixa cair as pestanas para um sono tranquilo.


* Foto - Centaurium erythraea ssp. grandiflorum.

Nota: Pela Nova Flora de Portugal (João do Amaral Franco) são identificadas três subespécies para o fel-da-terra - ssp. erythraea, ssp. turcicum e ssp. grandiflorum.


10 de Setembro de 2009


sinopse técnica

Ecologia

Matos xerofílicos, bosques, pastagens e arrelvados secos

Distribuição

Europa, NW África e SW Ásia

Época de floração

(Abril) Junho a Agosto (Setembro)

Estatuto de protecção

Nenhum

Alguns locais de observação

- Clareiras de matos sobretudo nas zonas calcárias (Barrocal Algarvio, região de Lisboa, etc.)


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