


Todo o porte de Filipendula vulgaris faz lembrar uma planta "num atalho da montanha". Talvez pela graciosidade da inflorescência que sobressai em flores branco-rosa dos tufos de Brachypodium phoenicoides, não é uma planta expectável nas proximidades de Lisboa. Foi por isso surpreendente encontrá-la no início de Maio.
As flores abertas são semelhantes a outros géneros da família Rosaceae (silva, roseira brava, pilriteiro), com vários carpelos, numerosos estames e pétalas que se desprendem ao vento. Os botões florais agrupam-se como palometas* em inflorescências corimbosas no ápice de um caule esguio e quase sem folhas.
Mas na ausência de pétalas surge a simplicidade do fruto, um anel de aquénios geometricamente colocados num receptáculo plano, que não permite uma identificação imediata da família botânica. Ranunculaceae? Rosaceae? Rosaceae, confirmam as folhas compostas com folíolos de margem dentada, e em roseta basal.
É reina de los prados* no Norte da Península Ibérica, sendo frequente em arrelvados e orlas de bosque. Contudo, é interessante observar a sua distribuição no Centro e Sudeste da Península Ibérica, os núcleos populacionais agregam-se exclusivamente na proximidade de áreas de montanha.
Em Portugal, a região a Norte de Lisboa (região basáltica de Montemuro) é provavelmente o limite meriodinal para esta planta. Aqui, Filipendula vulgaris habita apenas em locais com elevada humidade edáfica, proporcionada pela proximidade ao mar - prados e matos húmidos com presença de espécies que beneficiam também da atlanticidade da região, como Lobelia urens ou Pinguicula lusitanica.
(Aqui, Filipendula vulgaris desce da montanha e habita em solos húmidos com vista para o mar.)
* nomes comuns em castelhano - fonte, Flora Iberica
5 de Setembro de 2009
Prados e orlas de bosques com humidade até ao início do Verão
Europa e Ásia
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