Ranunculus bullatus
© Ana Júlia Pereira  
Ranunculus bullatus
© Miguel Porto  
Ranunculus bullatus
© Ana Júlia Pereira  

 

Ranunculus bullatus L.

Ranunculaceae | montã-do-outono

Ana Júlia Pereira

Em Novembro são poucas as corolas, como são poucas as horas de luz para andar no campo. Abundam as rosetas de folhas rente ao solo mas as últimas flores de Verão foram levadas pelas aves à passagem. Aqui e ali ainda alguns Narcissus serotinus, corolas de Outono que se amachucam facilmente com pingos de chuva, Leucojum autumnale, pequenas plantas bolbosas que começam a florir no calor de Setembro ou Diplotaxis catholica uma crucífera anual que enche os pousios e pastagens.

Neste período a floração é a excepção, plantas anuais, geófitos, hemicriptófitos e pequenos caméfitos, estão a formar novas folhas. A diversidade de rosetas, plântulas, pequenas moitas em regeneração é tão elevada que impele a um jogo botânico - "identifica-me através das folhas!"; brincadeira difícil se o olhar não estiver habituado aos pormenores das folhas (inserção, pilosidade, recorte da margem...).

Ranunculus bullatus é das poucas plantas a florir nos meses iniciais de Inverno e fá-lo de modo a encher os campos de um amarelo que tem tudo a ver com esse azul das manhãs frias a cheirar a lenha. É "Planta em Volta" nos campos do sul, em pastagens, olivais ou taludes herbosos de beira de estrada mas a sua distribuição estende-se até ao centro do país, sendo muito abundante em prados calcários nessa região.

Planta vivaz com rosetas de folhas basais, margem crenada e página inferior muito peluda, alimentadas por raízes tuberosas. As flores são semelhantes às de tantas outras espécies de Ranunculus, pétalas amarelo-cera-brilhante, numerosos estames e carpelos, e uma pequena bolsinha de néctar na base das pétalas (escama nectarífera). Distingue-se das cerca de 21 espécies de ranúnculos terrestres incluídos na flora portuguesa pelo número variável de pétalas, normalmente são apenas 5, pela forma como as folhas se inserem, pelas características dos pequenos frutos (aquénios) e principalmente porque é a única a florir no Inverno!


21 de Novembro de 2011


sinopse técnica

Ecologia

Prados, montados e por vezes pastagens; indiferente ao substrato mas abundante em relvados sobre calcários.

Distribuição

Região mediterrânica. Em Portugal, apenas nas regiões de climas mais quentes, no Centro e Sul.

Época de floração

Outubro a Dezembro

Estatuto de protecção

Nenhum

Alguns locais de observação

- Montados na região de Barrancos

- Cristas calcárias na região de Lisboa


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