


Um feliz acaso
Em pleno verão, não é expectável que uma saída de campo possa propiciar grandes encontros botânicos, principalmente no sul do país, onde as elevadas temperaturas e a reduzida precipitação tornam estes meses particularmente adversos. A maioria das espécies "opta" por florir em épocas mais favoráveis, porém há sempre algumas que fogem a esta regra e possibilitam surpresas agradáveis. Uma dessas surpresas ocorreu-me recentemente quando, no início de Agosto, percorri um trilho que já havia calcorreado dezenas de ocasiões, em diferentes períodos do ano. Numa encosta que na primavera se torna um deslumbre, mas que agora se encontra revestida por um cinzento sobressaiam uns capítulos brancos, que não se pareciam com nada que já tivesse observado naquele local. Quando me aproximei, fiquei completamente espantado, perante mim tinha uma Cephalaria leucantha, espécie que jamais tinha visto, e de repente, uma saída "de rotina" tinha ganho o cunho mágico de uma nova descoberta pessoal.
Trata-se de uma herbácea perene com diversos caules ascendentes até 1,3m de altura, simples ou ramificados na parte superior. As folhas são dimórficas, as basais podem ser inteiras e ovadas ou lirado-penatissectas e estão geralmente ausentes na floração, as caulinares médias podem ser lirado-penatipartidas ou lirado-penatissectas e as caulinares superiores são geralmente lineares. Apresenta capítulos pequenos (até 3 cm) inicialmente globosos, adquirindo uma forma mais hemisférica no decorrer da floração, com flores completamente brancas.
Esta espécie ocorre em clareiras e orlas de matos baixos ou matagais e outros locais abertos e pedregosos, bem como rochedos e taludes, sempre em solos de origem calcária. É uma espécie que ocorre no sul e sudoeste europeu e noroeste de África. Em Portugal é uma espécie pouco frequente, que ocorre principalmente na serra da Arrábida, mas também em alguns pontos do Baixo Alentejo e no Barrocal Algarvio.
Bibliografia
C. J. Pinto Gomes & R.J.P. Paiva Ferreira (2005) Flora e Vegetação do Barrocal Algarvio (Tavira-Portimão). Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. Faro
22 de Agosto de 2011
Clareiras e orlas de matos baixos ou matagais e outros locais abertos e pedregosos, bem como rochedos e taludes. Em solos de origem calcária.
Sul e Sudoeste da Europa e Noroeste de África. Em Portugal ocorre na zona sul (Arrábida, Baixo Alentejo e Algarve).
Entre meados de Julho e de Agosto
Nenhum
- Castelo de Paderne
- Serra da Arrábida (Formosinho, Jaspe, etc.)
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