Cephalaria leucantha
© Miguel Porto  
Cephalaria leucantha
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Cephalaria leucantha
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Cephalaria leucantha (L.) Roem. & Schult.

Dipsacaceae | saudades-brancas, saudades-dos-montes

André Carapeto

Um feliz acaso

Em pleno verão, não é expectável que uma saída de campo possa propiciar grandes encontros botânicos, principalmente no sul do país, onde as elevadas temperaturas e a reduzida precipitação tornam estes meses particularmente adversos. A maioria das espécies "opta" por florir em épocas mais favoráveis, porém há sempre algumas que fogem a esta regra e possibilitam surpresas agradáveis. Uma dessas surpresas ocorreu-me recentemente quando, no início de Agosto, percorri um trilho que já havia calcorreado dezenas de ocasiões, em diferentes períodos do ano. Numa encosta que na primavera se torna um deslumbre, mas que agora se encontra revestida por um cinzento sobressaiam uns capítulos brancos, que não se pareciam com nada que já tivesse observado naquele local. Quando me aproximei, fiquei completamente espantado, perante mim tinha uma Cephalaria leucantha, espécie que jamais tinha visto, e de repente, uma saída "de rotina" tinha ganho o cunho mágico de uma nova descoberta pessoal.

Trata-se de uma herbácea perene com diversos caules ascendentes até 1,3m de altura, simples ou ramificados na parte superior. As folhas são dimórficas, as basais podem ser inteiras e ovadas ou lirado-penatissectas e estão geralmente ausentes na floração, as caulinares médias podem ser lirado-penatipartidas ou lirado-penatissectas e as caulinares superiores são geralmente lineares. Apresenta capítulos pequenos (até 3 cm) inicialmente globosos, adquirindo uma forma mais hemisférica no decorrer da floração, com flores completamente brancas.

Esta espécie ocorre em clareiras e orlas de matos baixos ou matagais e outros locais abertos e pedregosos, bem como rochedos e taludes, sempre em solos de origem calcária. É uma espécie que ocorre no sul e sudoeste europeu e noroeste de África. Em Portugal é uma espécie pouco frequente, que ocorre principalmente na serra da Arrábida, mas também em alguns pontos do Baixo Alentejo e no Barrocal Algarvio.


Bibliografia

C. J. Pinto Gomes & R.J.P. Paiva Ferreira (2005) Flora e Vegetação do Barrocal Algarvio (Tavira-Portimão). Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. Faro


22 de Agosto de 2011


sinopse técnica

Ecologia

Clareiras e orlas de matos baixos ou matagais e outros locais abertos e pedregosos, bem como rochedos e taludes. Em solos de origem calcária.

Distribuição

Sul e Sudoeste da Europa e Noroeste de África. Em Portugal ocorre na zona sul (Arrábida, Baixo Alentejo e Algarve).

Época de floração

Entre meados de Julho e de Agosto

Estatuto de protecção

Nenhum

Alguns locais de observação

- Castelo de Paderne

- Serra da Arrábida (Formosinho, Jaspe, etc.)


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