


Um dos aromas mais intensos que perfuma o trajecto que percorre o Barrocal algarvio é o do tomilho-de-Creta (Thymbra capitata (L.) Cav.). O seu intenso aroma provém de glândulas localizadas nas folhas, que libertam óleos essenciais ricos em móleculas do grupo dos terpenos e fenóis. Por ser uma planta aromática, pode ser utilizado como condimento em diversos pratos da cozinha mediterrânica, principalmente como tempero de carnes, saladas. A sua infusão apresenta também propriedades medicinais, nomeadamente no combate a infecções respiratórias e já era referida por autores da antiguidade como Teofrasto e Dioscórides.
Apesar do seu nome vernáculo que a associa à ilha grega de Creta, esta espécie (localmente designada somente por tomilho) tem uma área de distribuição bastante mais alargada, encontrando-se dispersa um pouco por toda a bacia do mediterrâneo. Distribui-se por áreas sempre relativamente próximas do litoral. Em Portugal ocorre em populações dispersas: barrocal algarvio e costa vicentina, Arrábida, arredores de Lisboa e Coimbra.
É uma espécie colonizadora em áreas abertas como clareiras de matos e áreas agrícolas abandonadas. É uma espécie com preferência por solos secos, com elevada exposição solar e pedregosos. Parece ter preferências por solos basófilos, particularmente derivados de calcários e margas, mas também pode ser encontrado em outros tipos de substratos (xistos).
Trata-se de pequeno arbusto lenhoso, até 50 cm de altura, mais ou menos ramificado, com pequenas folhas lineare-lanceoladas que se dispõem em fascículos axilares. As flores arroxeadas concentram-se na parte terminal dos caules, dando origem a uma densa inflorescência capitada (de onde vêm o epíteto específico, capitata). Floresce no final da primavera e durante o início do Verão, chegando a poder estar em floração em Agosto. Por florir num período em que poucas plantas ainda se encontram em floração, constitui uma importante planta melífera.
Bibliografia consultada
Morales R. 2010. Thymbra in Morales R., A. Quintanar, F. Cabezas, A.J. Pujadas & S. Cirujano, (Ed.); Flora Ibérica - Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares, vol. XII, VERBENACEAE - LABIATAE; Real Jardín Botánico; C.S.I.C.; Madrid.
7 de Setembro de 2010
Clareiras de matos em sítios secos e pedregosos, preferentemente de origem calcária ou margosa.
Região Mediterrânica. Em Portugal, Barrocal algarvio, Costa vicentina, Arrábida, arredores de Lisboa e Coimbra.
Finais de Junho - início de Agosto
Nenhum
- Rocha da Pena, Castelo de Paderne, Fonte da Benémola
- Serra do Louro e Serra de S. Luís (Arrábida)
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