


Corema album (camarinha) é uma das espécies endémicas mais características dos sistemas dunares da costa Atlântica da Península Ibérica, estendendo-se desde o cabo Finisterra até ao estreito de Gibraltar. Ocupa areias mais ou menos móveis em sistemas dunares ou em areias sobre arribas rochosas, habitats que têm sofrido um crescente impacto humano nos últimos tempos.
O género Corema compreende apenas duas espécies com uma distribuição disjunta; C. conradii nos sistemas dunares de rochas ígneas da costa NE dos Estados Unidos e SE do Canadá e C. album na Costa atlântica da Península Ibérica, com uma sub-espécie nas ilhas dos Açores C. album subsp. azoricum que cresce sobre cinzas vulcânicas.
É um arbusto dióico, com flores pequenas e polinização anemófila que pode atingir um metro de altura. O número de flores por inflorescência varia conforme os sexos, mas nunca excede as 20 flores. As flores masculinas, com 3 estames de cor avermelhada dispõem-se em inflorescências terminais, as flores femininas estão agrupadas no mesmo tipo de inflorescência, com pétalas de 1mm e estigma trífido saliente. A espécie está descrita como estritamente dióica, encontrando-se, embora muito raramente, alguns indivíduos hermafroditas.
As suas folhas são muito reduzidas, ericóides, com uma cutícula muito espessa na página superior, enrolando-se sobre a página inferior a proteger os estomas, evitando desta forma grandes perdas de água por transpiração. É uma espécie extremamente adaptada a estes habitats, onde a mobilidade das areias e a falta de água e nutrientes reduzem drasticamente a competição.
Os frutos carnudos, uma baga mais ou menos esférica (5-8 mm de diâmetro) de cor branca ou suavemente rosada fazem lembrar uma pérola grande, são comidos por diferentes animais que frequentam as dunas, desde gaivotas, melros e outros passeriformes, bem como coelhos, raposas, texugos, lagartixas entre outros. A manutenção da camarinha nestes sistemas dunares está associada à presença destes animais que actuam como vectores e garantem a sua dispersão e germinação.
No passado os frutos eram vendidos ao longo das estradas próximo das praias e nalgumas povoações entre a Nazaré e Aveiro. As bagas eram utilizadas com fins culinários para fabricar marmeladas e licores e também com fins terapêuticos.




Bibliografia consultada
CLAVIJO, A., DÍAZ BARRADAS, M. C., AIN-LHOUT, F., ZUNZUNEGUI, M. & CORREIA, O. A fragmentação e as espécies invasoras como causa principal da redução do habitat de Corema album na sua área de distribuição.
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DIAZ BARRADAS, M. C., CORREIA, O., ZUNZUNEGUI, M., AIN-LHOUT, F., CLAVIJO, A., SILVA, P., & FERREIRA, S. (2000). Distribuição de sexos na espécie dióica Corema album ao longo de um gradiente climático. Revista Biol. (Lisboa) 18: 7-22.
GUITIÁN, P., MEDRANO, M. & RODRÍGUEZ, M. (1997). Reproductive biology of Corema album (L.) D.Don (Empetraceae) in the northwest Iberian Peninsula. Acta bot. Gallica, 144: 119-128
VALDÉS, B., TALAVERA, S. & FERNÁNDEZ GALIANO, E. (1987). Flora vascular de Andalucía Occidental. Ketres Editora (Barcelona).
28 de Julho de 2010
Dunas marítimas, às vezes sobre arribas, muito raramente areias interiores
Costa atlântica da Península Ibérica e Açores
Março a Abril
Nenhum
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