Scabiosa atropurpurea
© André Carapeto  
Scabiosa atropurpurea
© André Carapeto  
Scabiosa atropurpurea
© André Carapeto  

 

Scabiosa atropurpurea L.

Dipsacaceae | suspiros-roxos, saudades-roxas

André Carapeto

Num país com tanta propensão para a saudade é estranho que uma planta com nomes vernáculos tão sugestivos não tenha um maior reconhecimento por parte do seu povo. Na verdade a Scabiosa atropurpurea é tudo menos uma planta dada a melancolias, pois além de ser dada a colonizar habitats pouco seguros como bermas de estradas, apresenta uma enorme variabilidade morfológica, o que a torna bastante atractiva para os botânicos e amantes da jardinagem em geral.

Podemos tentar descrever a Scabiosa atropupurea como uma planta herbácea perene ou mais raramente anual, com caules erectos que podem atingir mais de 1 m de altura, geralmente muito ramificados, mas por vezes simples. As folhas apresentam morfologia diferenciada ao longo do caule, sendo as da roseta basal frequentemente espatuladas, com a margem do limbo de pouco recortada (crenada) a muito recortada (pinatífida) e as da parte superior caule geralmente profundamente recortadas (pinatipartidas ou pinatisectas). Quer os caules, quer as folhas podem ser glabrescentes ou abundantemente pilosos.

Scabiosa atropurpurea
© André Carapeto  
Scabiosa atropurpurea
© Ana Júlia Pereira  
Scabiosa atropurpurea
© João D Almeida  
Scabiosa atropurpurea
© André Carapeto  

Em relação às flores, comecemos por dizer que o que à primeira observação chamaríamos “flor” é na realidade uma inflorescência, neste caso, um conjunto de flores tubulares agrupadas num capítulo. A coloração das flores é outra das características imprevisíveis desta espécie. De facto, numa mesma população podem-se encontrar indivíduos com diferentes cores, numa palete que varia do roxo (a cor mais frequente) ao branco, passando pelas tonalidades azuladas, rosadas ou mesmo, imagine-se, vermelho-tinto. A variedade de cores é possivelmente um dos motivos para que seja utilizada como planta ornamental por jardineiros um pouco por todo o mundo, apesar de por cá integrar o grupo das «ervas-daninhas».

É uma planta com preferência por sítios secos e frequentemente ruderalizados, sendo fácil de a encontrar em pousios, baldios e bermas de estradas e caminhos. Distribui-se por quase todo o território continental, à excepção do Minho, onde o clima de carácter atlântico mais acentuado, com abundante pluviosidade, parece constituir um factor limitante à presença da espécie. De facto, em condições ecológicas tão competitivas como são os habitats que ocupa, qualquer pequena desvantagem em relação às restantes competidoras, pode significar a sua exclusão. É muito frequente no Sul do país, onde constitui uma das plantas mais frequentes nas bermas das estradas. Com este gostinho pelo sol, não é de estranhar a sua distribuição em redor do Mediterrâneo, atingindo ainda as ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias).


1 de Julho de 2010


sinopse técnica

Ecologia

Zonas secas e abertas, baldios, taludes e bermas de caminhos e de estradas

Distribuição

Região mediterrânica e macaronésia

Época de floração

Abril a Agosto

Estatuto de protecção

Nenhum

Alguns locais de observação

- Bermas de estradas e caminhos em quase todo o país


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