


Num país com tanta propensão para a saudade é estranho que uma planta com nomes vernáculos tão sugestivos não tenha um maior reconhecimento por parte do seu povo. Na verdade a Scabiosa atropurpurea é tudo menos uma planta dada a melancolias, pois além de ser dada a colonizar habitats pouco seguros como bermas de estradas, apresenta uma enorme variabilidade morfológica, o que a torna bastante atractiva para os botânicos e amantes da jardinagem em geral.
Podemos tentar descrever a Scabiosa atropupurea como uma planta herbácea perene ou mais raramente anual, com caules erectos que podem atingir mais de 1 m de altura, geralmente muito ramificados, mas por vezes simples. As folhas apresentam morfologia diferenciada ao longo do caule, sendo as da roseta basal frequentemente espatuladas, com a margem do limbo de pouco recortada (crenada) a muito recortada (pinatífida) e as da parte superior caule geralmente profundamente recortadas (pinatipartidas ou pinatisectas). Quer os caules, quer as folhas podem ser glabrescentes ou abundantemente pilosos.




Em relação às flores, comecemos por dizer que o que à primeira observação chamaríamos “flor” é na realidade uma inflorescência, neste caso, um conjunto de flores tubulares agrupadas num capítulo. A coloração das flores é outra das características imprevisíveis desta espécie. De facto, numa mesma população podem-se encontrar indivíduos com diferentes cores, numa palete que varia do roxo (a cor mais frequente) ao branco, passando pelas tonalidades azuladas, rosadas ou mesmo, imagine-se, vermelho-tinto. A variedade de cores é possivelmente um dos motivos para que seja utilizada como planta ornamental por jardineiros um pouco por todo o mundo, apesar de por cá integrar o grupo das «ervas-daninhas».
É uma planta com preferência por sítios secos e frequentemente ruderalizados, sendo fácil de a encontrar em pousios, baldios e bermas de estradas e caminhos. Distribui-se por quase todo o território continental, à excepção do Minho, onde o clima de carácter atlântico mais acentuado, com abundante pluviosidade, parece constituir um factor limitante à presença da espécie. De facto, em condições ecológicas tão competitivas como são os habitats que ocupa, qualquer pequena desvantagem em relação às restantes competidoras, pode significar a sua exclusão. É muito frequente no Sul do país, onde constitui uma das plantas mais frequentes nas bermas das estradas. Com este gostinho pelo sol, não é de estranhar a sua distribuição em redor do Mediterrâneo, atingindo ainda as ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias).
1 de Julho de 2010
Zonas secas e abertas, baldios, taludes e bermas de caminhos e de estradas
Região mediterrânica e macaronésia
Abril a Agosto
Nenhum
- Bermas de estradas e caminhos em quase todo o país
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