


Apesar da sua modesta dimensão, a região do Algarve apresenta uma grande diversidade biológica, fruto não só da sua excepcional localização geográfica, mas igualmente da existência na região de um notável mosaico de habitats e paisagens. Como resultado, e talvez ao contrário do que de se poderia imaginar, o Algarve alberga vários endemismos (espécies que apenas ocorrem numa determinada região) exclusivos do Algarve - verdadeiros tesouros da flora.
Exemplo disso é o Thymus lotocephalus (Tomilho-cabeçudo), uma espécie endémica do Algarve. Indiferente ao solo, este tomilho ocorre tanto em solos calcareníticos de fraca cobertura arenosa como em solos arenosos ácidos, no Litoral, em pinhais abertos, mas também em clareiras de matos xerofíticos e tomilhais, sobre solos calcários, no Barrocal.
De porte sub-arbustivo, está espécie não ultrapassa os 20 cm de altura, apresentando à semelhança dos outros tomilhos flores bilabiadas, as quais se agrupam em peculiares inflorescências (capitadas) de grande dimensão quando comparadas com a planta - daí o nome vernáculo "cabeçudo".
Apesar de ser uma espécie plurianual, este tomilho quase "desaparece" durante o Inverno, ressuscitando logo após as últimas chuvas de Inverno, ao longo do qual renova a sua minúscula mas profusa e ramificada folhagem. Já no final da Primavera despontam os primórdios daquelas que serão as coloridas inflorescências (cabeças), as quais enchem de cor vastas áreas abertas.
Por se tratar de uma espécie bastante aromática, tal como outros tomilhos, também ela é utilizada para aromatizar pratos gastronómicos em algumas zonas do Algarve, em particular no Barrocal.
Esta espécie que apresenta uma distribuição muito restrita e um estado de conservação vulnerável é, juntamente com a espécie Tuberaria major, uma das espécies mais raras do Sotavento do Algarve, pelo que a sua preservação deve ser alvo de atenção por parte de todos. Por esse mesmo motivo é uma espécie que apresenta estatuto de conservação, ao abrigo do Decreto – Lei n.º 49/2005 de 24 de Fevereiro de 2005 (Anexos B-II e B-IV), que transpõe para a Lei Nacional a Directiva CE/92/43, relativa a conservação de espécies e habitats, bem como pela Convenção de Berna. Apesar disso, a grande dispersão das manchas populacionais e a pressão urbanística que se faz sentir sobre grande parte da sua área de ocorrência, em particular no litoral, ameaçam seriamente a preservação desta espécie.
Bibliografia consultada
ICNB. 2006. Proposta de Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Vol. II Valores Naturais. Fichas de caracterização ecológica e de gestão: habitats naturais e espécies da flora e fauna; Instituto da Conservação da Natureza; Lisboa
Meireles C. 2004. Caracterização da Flora e Vegetação do Parque Natural da Ria Formosa. Estudos de Caracterização para a Revisão do Plano de Ordenamento do PNRF. Instituto da Conservação da Natureza. Parque Natural da Ria Formosa. Olhão. Pp. 176.
16 de Junho de 2010
Indiferentes as condições edáficas (solos), ocorre tanto em pinhais abertos, em solos calcareníticos de fraca cobertura arenosa, como em solos arenosos ácidos, no Litoral, mas também em clareiras de matos xerofíticos e tomilhais, sobre solos calcários, no Barrocal
Portugal Continental, exclusivamente no Sotavento Algarvio, sobretudo no Barrocal, e no Litoral, entre Lagoa e Tavira
Abril a Junho
Convenção de Berna, relativa à Conservação da Vida Selvagem e do Meio Natural na Europa - Anexo I, Directiva Habitats (92/43/CEE), do Conselho, de 21 de Maio - Anexos II e IV, relativa à conservação dos habitats naturais, da fauna e da flora selvagens
- Pinhais litorais do extremo ocidental do Parque Natural da Ria Formosa (PNRF), entre os limites dos concelhos de Faro e Loulé; Quinta do Marim – Sede do PNRF (Olhão); Barrocal Algarvio
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