


Encontrei-me com Adonis nesse prado apenas duas vezes. Um dia fala-me do vermelho, disse-lhe. Gota-de-sangue entre as oliveiras. Companheiro de Nigellas. Foste "morto por um javali e transformado por Afrodite (...)".
Entre as oliveiras Adonis annua depois das longas chuvas até Abril.
Junto a Adonis que se perdia no verde, um olival antigo. O campo não apresentava sinais de lavra recente mas as "sementes" irromperam como se este fosse o último dos prados. Nigella damascena, Linaria hirta, Linaria ricardoi, Ornithogalum narbonense, Rhagadiolus stellatus, Biarum mendax, Bupleurum lancifolium, Convolvulus tricolor, etc., etc., até ao pico de alfa diversidade. Ao sol Adonis em flor também já frutificava, aquénios empilhados em torre à espera de entrar na terra.
[A paisagem no perímetro de rega do Alqueva está a modificar-se com intensidade. Extensas áreas de prados, pousios e pomares de oliveira estão gradualmente a ser substituídos por olival de regadio. A flora associada aos agroecossistemas tradicionais e que coevoluiu com o uso que o homem foi fazendo da terra à velocidade de outros tempos, pode estar ameaçada. A elevada riqueza em espécies herbáceas está dependente do ciclo pousio-lavra e do uso moderado da terra. A rapidez da transformação da paisagem associada à utilização de agro-químicos e herbicidas para manter uma agricultura de produção intensiva, pode não dar espaço nem tempo à adaptação destas comunidades a esta nova reforma agrícola.]
Adonis annua é planta-símbolo dos campos esquecidos. É urgente entrar neles em Abril à altura das raízes.
21 de Abril de 2010
Pousios e culturas de sequeiro, principalmente sobre solos básicos.
Europa do Sul, Ásia, Norte de África
Fevereiro a Junho
nenhum
- Olivais tradicionais e pousios na região de Beja
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