Thymus capitellatus
© André Carapeto  
Thymus capitellatus
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Thymus capitellatus
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Thymus capitellatus Hoffmanns. & Link

Lamiaceae (Labiatae) | tomilho-do-mato

André Carapeto

Os tomilhos são plantas sobejamente conhecidas pelas suas propriedades aromáticas, há muito empregues na gastronomia e medicina tradicionais. Constituem um grupo particularmente diverso no território continental, com 12 espécies distribuídas por 2 géneros (Thymus e Thymbra), das quais 9 são exclusivas (endémicas) da Península Ibérica e entre estas, existem 3 espécies que apenas se podem encontrar em Portugal.

Um dos mais ilustres representantes deste grupo é o tomilho-do-mato, uma planta arbustiva de pequeno porte que ocorre em solos ácidos arenosos de dunas e paleodunas, em charnecas e matos xerofílicos, onde frequentemente constitui uma das espécies co-dominantes, juntamente com a sargacinha (Halimium calycinum) e o rosmaninho (Lavandula pendunculata). Ocorre também sob coberto de pinhais e mesmo em clareiras de eucaliptais abertos. Por se tratar de uma espécie muito abundante nos locais onde ocorre dificilmente se preveria que estaríamos na presença de um endemismo da metade sul de Portugal. De facto, apenas o podemos encontrar ao longo das bacias sedimentares dos rios Tejo e Sado e ainda na faixa costeira paleodunar, sensivelmente até Sines.

Como as outras espécies do género Thymus, apresenta pequenas flores bilabiadas, agrupadas em capítulos. Distingue-se outras espécies por um conjunto de características, entre as quais a corola branca das flores, as folhas ovado-lanceoladas, pequenas (1-2mm de largura), revolutas e tomentosas na página superior, o cálice com 2,5-5mm e as brácteas diferenciadas das folhas.

Durante a maior parte do ano o tomilho-do-mato passa despercebido na matriz de matos baixos ricos em espécies xerófilas e aromáticas. Sensivelmente a meio da Primavera a sua copiosa floração torna-a a mais visível, sendo esta a melhor altura para observar a espécie.

É uma espécie que apresenta estatuto de conservação, ao abrigo do Decreto-Lei nº.49/2005 de 24 de Fevereiro de 2005 (Anexos B-II e B-IV), que transpõe para a Lei nacional, as disposições da Directiva 92/43 do Conselho da Europa. Grande parte da sua área de distribuição encontra-se englobada pela Rede Natura 2000, o que permite supor que a sua sobrevivência possa estar salvaguardada. Ainda assim, a expansão urbana no litoral alentejano, as práticas inapropriadas de gestão florestal nos pinhais onde ocorre (copas demasiado densas, gradagens de solo demasiado frequentes) e a expansão do acacial, constituem algumas das principais ameaças a ter em conta.


Bibliografia consultada

Pinto, M.J. et al. 1996. Distribuição Geográfica e Estatuto de Ameaça das Especies da Flora a Proteger. Relatório de Progresso. Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Lisboa.

ICNB. 2006. Proposta de Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Vol. II Valores Naturais. Fichas de caracterização ecológica e de gestão: habitats naturais e espécies da flora e fauna; Instituto da Conservação da Natureza; Lisboa


17 de Abril de 2010


sinopse técnica

Ecologia

Em dunas e paleodunas, em matos que se desenvolvem sobre solos ácidos arenosos.

Distribuição

Zona Sul de Portugal (bacias sedimentares do Tejo e Sado)

Época de floração

Abril a Junho

Estatuto de protecção

Decreto-Lei nº.49/2005 de 24 de Fevereiro de 2005 (Anexos B-II e B-IV)

Alguns locais de observação

- Península de Tróia

- Comporta


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