


De hábito prostrado, caules e folhas verde-seco e flores diminutas, a Herniaria maritima passa facilmente despercebida ao visitante casual dos sistemas dunares, que não se apercebe que perto de si se encontra uma das preciosidades da flora nacional. Trata-se de um endemismo da metade sul de Portugal, que ocorre nos cordões dunares ao longo do litoral entre o Cabo Carvoeiro e o Algarve. É uma espécie costeira, que coloniza praias de areia, dunas embrionárias e principalmente, dunas penestabilizadas, em clareiras de matos dominados por pequenos arbustos (caméfitos).
Apesar do seu aspecto herbáceo, é uma planta perene. Os caules, que atingem os 30cm, são lenhosos, muito ramificados e ligeiramente decumbentes (inicialmente prostrados e por fim, ascendentes na extremidades). Não apresentam folhas na zona basal e os entrenós são de cor verde pálido, grossos, com pêlos curtos e patentes. As folhas são bastante pequenas, algo carnosas, elíptico-arredondadas e com toda a superfície coberta por pêlos. Apesar de ser da mesma família dos cravos (Caryophyllaceae), as suas flores são extremamente discretas, devido ao reduzido tamanho (1,5 a 2 mm) e à cor esverdeada, muito semelhante à das próprias folhas. Reúnem-se em glomérulos densos, no final das extremidades do caules, podendo por vezes, agruparem-se até 18 flores no mesmo glomérulo.
Distingue-se das restantes espécies do género Herniaria de ecologia costeira por se tratar de uma espécie perene, com porte mais robusto e maiores dimensões. A espécie mais semelhante é Herniaria ciliolata subsp. robusta, que a "substitui" na costa norte do país. H. maritima distingue-se por apresentar folhas e flores totalmente revestidas por pêlos, enquanto que Herniaria ciliolata subsp. robusta, é praticamente glabra, com folhas apenas ciliadas (com pêlos somente na margem da folha). Herniaria scabrida é uma espécie característica de ambientes não litorais, com folhas elípticas e densamente pilosas, enquanto que H. maritima as tem mais arredondadas, carnudas e menos pilosas.
É uma espécie que apresenta estatuto de conservação, ao abrigo do Decreto-Lei nº.49/2005 de 24 de Fevereiro de 2005 (Anexos B-II e B-IV), que transpõe para a Lei nacional, as disposições da Directiva 92/43 do Conselho da Europa. Localmente afectada pela expansão urbana no litoral, pelo pisoteio excessivo nas dunas e expansão de espécies invasoras como o chorão (Carpobrotus edulis), a sua sobrevivência depende do bom estado de conservação dos cordões dunares. A longo prazo, a subida do nível médio das águas do mar poderá constituir também um factor de ameaça a ter em conta.
Bibliografia consultada
Pinto, M.J. et al. 1996. Distribuição Geográfica e Estatuto de Ameaça das Especies da Flora a Proteger. Relatório de Progresso. Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Lisboa.
Chaudhri M.N. 1990. Herniaria in Castroviejo S., Laínz M., Lopéz González G., Montserrat P., Muñoz Garmendia F., Paiva J., Villar L. (Ed.); Flora Ibérica - Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares, vol. II, PLANTANACEAE – PLUMBAGINACEAE; Real Jardín Botánico; C.S.I.C.; Madrid.
ICNB. 2006. Proposta de Plano Sectorial da Rede Natura 2000 Vol. II Valores Naturais. Fichas de caracterização ecológica e de gestão: habitats naturais e espécies da flora e fauna; Instituto da Conservação da Natureza; Lisboa
9 de Março de 2010
Dunas litorais: dunas embrionárias e dunas penestabilizadas.
Litoral Sul de Portugal, do Cabo Carvoeiro ao Algarve.
Maio a Junho
Decreto-Lei nº.49/2005 de 24 de Fevereiro de 2005 (Anexos B-II e B-IV)
- Cabo Raso
- Fonte da Telha
- Península de Tróia
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